sábado, 5 de março de 2011

UM POUCO DE GEO-HISTÓRIA DE IMPERATRIZ (MA)

Prof. MSc. Luiz Jorge Dias
Geógrafo - Mestre em Sustentabilidade de Ecossistemas
Professor Auxiliar I de Geografia Física - UEMA\CESI\DHG
A ocupação de Imperatriz ocorreu a partir de uma expedição comandada por Jerônimo Francisco Coelho, que tinha por objetivo inicial a construção de um presídio militar às margens do Rio Tocantins e a remoção de obstáculo que impediam a navegação pelo referido curso d’água (Sanches, 2002, p.115).



Jerônimo Coelho ampliou os objetivos iniciais da expedição, decidindo que, mais que um presídio, o espaço deveria sediar uma missão religiosa e uma colônia militar, ambas com o propósito de povoar locais desabitados, servindo também como ponto de repouso aos viajantes no trajeto dificultoso para exploração e obras.


Em 1852, Frei Manoel Procópio, acompanhado de Juvenal Simões e Zacarias Fernandes, juntamente com as famílias dos soldados de expedições anteriores, fixou-se em um local achando que estivessem em terras do Estado do Pará. Enganaram-se, pois se tratava de terras maranhenses. Nesse mesmo ano foi fundada a povoação de Santa Tereza (Sanches, 2002, p.115). Esse nome deve-se ao fato do Frei Manoel Procópio ser devoto da Santa Tereza D’Ávila. O povoado crescia rapidamente e quatro anos depois, em 27 de agosto de 1856, de acordo com a lei nº 398, originou-se a Vila de Imperatriz, nome dado em homenagem à Imperatriz Tereza Cristina.


A história de Imperatriz passou por um hiato de fatos significativos para o incremento urbano de aproximadamente 100 anos (entre as décadas de 1860 e 1950). Com o surgimento da rodovia Belém-Brasília, em 1960, Imperatriz foi ocupada por migrantes oriundos de diversas regiões do País, responsáveis que foram por mudanças radicais nos aspectos econômicos e sociais da cidade, que teve um grande incremento populacional urbano.


Desde a época de sua fundação, a arquitetura da cidade de Imperatriz não havia passado por grandes modificações. A estrutura das casas era típica de construções interioranas e de inspiração colonial portuguesa, dando a impressão de “pobreza franciscana” e atraso arquitetônico (JORNAL O PROGRESSO, 1970).


Durante a fase de expressivo crescimento demográfico pós-Belém-Brasília (1960 – 1980), as casas ainda eram construídas no estilo português e eram estabelecidas enfileiradas, com o objetivo de aproveitar a parede do vizinho. A cidade não tinha estrutura para receber contingente humano tão expressivo, pois seu crescimento ocorreu de forma desordenada, não havendo planejamento e, por conseguinte, ordenamento territorial das atividades e das diversas formas de uso e ocupação dos espaços assimilados ao contexto urbano em expansão.


A “modernização” (compreendida como dotação de novas infra-estruturas e estratégias de construção civis diferenciadas) foi acontecendo lentamente a partir da década de 1970. Contudo, nas ruas que os migrantes “abriam” não havia nenhuma preocupação em reservar espaços para a construção de praças e outros ambientes destinados ao lazer necessários, bem como para estabelecimento ou conservação de áreas verdes destinadas à amenização térmica urbana (conforto térmico).


Assim, os maiores índices de incremento demográfico ocorreram entre as décadas de 1960 e 1980. No primeiro momento, havia 39.169 habitantes. Já no início dos anos 1980, Imperatriz contabilizava 220.079 habitantes (IBGE, 2008). Entretanto, nesse intervalo de tempo, não apenas houve incremento demográfico, como também o município como um todo passou por mudanças substanciais em termos de infra-estruturas, arquiteturas, equipamentos e serviços urbanos, que seriam reflexo das demandas e pressões sociais, mas não seriam suficientes para atender todas as necessidades da crescente população.


A título de exemplo, embora tenha havido grande crescimento urbano, o município ainda contava com apenas uma única unidade de saúde da SESP (Secretaria de Estado de Saúde Pública), instalada em 1959. Isso motivou com que os enfermos da região de influência de Imperatriz buscassem tratamento de saúde em outros lugares, tanto no próprio Estado do Maranhão, como em estados vizinhos (JORNAL O PROGRESSO, 1970).


Mesmo após os anos iniciais da década de 1980 (o que pode ser destacado e ser assimilado para o tempo presente), o intenso crescimento populacional de Imperatriz não foi acompanhado de planejamento e a ausência de infra-estrutura, de equipamentos e serviços urbanos vêm causando um fenômeno conhecido como incremento populacional sub-regional. Isso concorreu, ainda, para a efetivação do município em destaque como um pólo sub-regional de atração econômica, bem como um ponto de convergência entre três grandes regiões brasileiras (Norte, Nordeste e Centro-Oeste).


Assim, com abertura de estradas, “piçarreamento” e o asfaltamento de vias federais e estaduais foi possível estabelecer comunicação rodoviária entre Imperatriz e diversas cidades como Belém, São Luís e, por conseguinte, toda região Centro-Oeste e Nordeste, facilitando a ocupação demográfica da cidade. Existem alguns fatores que são determinantes para a ocupação demográfica: sua posição geográfica intermediária, entreposto de desenvolvimento regional (Belém/Brasília/Goiânia), grande disponibilidade de terras devolutas e qualidade para cultivo agrícola.


Pode-se identificar na cidade de Imperatriz um fenômeno conhecido como migrações voluntárias, um movimento onde as pessoas têm a liberdade de sair de sua localidade de origem, em direção de outros locais em busca de melhorias em suas condições de vida. Esse fato geográfico, demográfico e sociológico ocorreu devido à implantação da Belém-Brasília e esteve relacionado a condições sócio-econômicas e históricas assim como ocorrera nos movimentos migratórios presenciados em diversas regiões do Brasil.


Em 2011, o município de Imperatriz é a segunda cidade mais populosa do Estado do Maranhão. No ano de 2000, havia um contingente populacional de 230.566 habitantes. Atualmente conta com 247.553 habitantes, segundo o censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) para o ano de 2010 (IBGE, 2010). Assim, depois da Capital, São Luís, é o segundo maior núcleo populacional e sua localização encontra-se à margem direita do rio Tocantins, é atravessada pela rodovia Belém-Brasília situa-se na divisa com o Estado do Tocantins, na parte Oeste do Estado do Maranhão na microrregião n° 38. Sua área total é de 1.369 km², que equivale a 0,46% do território do Estado (MARANHÃO, 2002).

Comparativamente, em 1980 a área de Imperatriz tinha um total de 13.352 km² de área total, o que correspondia a 4,01% do território do Estado. Após a criação de alguns municípios, como Açailândia em 1991 passou para 6.075,1 km² e em 1996 (com a desintegração de uma parte de seu território para a formação dos municípios de Cidelândia, Davinopolis, Governador Edson Lobão, São Pedro D’água Branca, Vila Nova dos Martírios e São Francisco do Brejão), o município de Imperatriz passou para área hoje correspondente a 1.369 km².

3 comentários:

  1. citei um pouco de seu trabalho em um texto de minha especialização!! erivan vidal uema cesi geografia turma 2005

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  2. Muito bom esse seu trabalho sobre Imperatriz!!! Parabéns. Realmente a cidade de imperatriz sofreu muitas transformações ao longo de sua história. A migração ocasionado por exemplo pela construção da BR 010 foi sem dúvida um divisor de águas dessa cidade e da região. Estou aguardando sua visita ao meu blog: O Saber Geográfico.Valeu!!!

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  3. Parabéns amei seu trabalho sobre Imperatriz

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