quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

AS MAIORES INVENÇÕES DA HUMANIDADE

Cientistas, intelectuais, escritores, jornalistas foram chamados para opinar sobre quais foram as maiores inveções da história da humanidade. O resultado foi publicado pela revista Superinteressante. Veja:

IMPRENSA – “Acelerou de forma sensacional a separação entre a cultura humana e a natureza. Com ela, pudemos acelerar o acúmulo sistemático de conhecimento para controlar a natureza.” ( Brian C. Goodwin, biólogo e cientista.).

TECNOLOGIA DAS COMUNICAÇÕES – “Há 150 anos atrás, era impossível comunicar-mos em tempo real. Hoje vemos TV e usamos telefone e internet sem pensar. Por isso é fácil subestimar o significado das telecomunicações.” (Tom Standage, jornalista de ciência da revista inglesa THE ECONOMIST).

SISTEMA DE CONTAGEM INDO-ARÁBICO – “O sistema de contagem, com conteúdo da informação da posição (de modo que 111 significa 100 mais 10 mais 1), é hoje universal e está na base de toda ciência quantitativa, econômica e matemática.” (John D. Barrow, professor de ciências matemáticas da Universidade de Cambridge, Inglaterra).

ENCANAMENTO E ESGOTOS – “Tenho dificuldade para me lembrar de outra invenção que tenha detido tanta doença e morte. Sem o serviço de águas, as condições de amontoamento seriam insuportáveis. Basta ir a uma cidade pobre, sem água limpa, para ver isso.” (Carl Zimmer, escritor e colaborador de revistas como Natural History e National Geographic).

INTERNET – “É de longe a mais importante invenção. Com os cursos on line, as universidades ficarão obsoletas. Centros comerciais ainda não se foram, mas irão. Jornais? Morrerão. Não sei se seremos mais felizes, mas seremos bem mais informados.” (Roger C. Schank, diretor do Instituto de Ensino das Ciências da Northwestern University).

CARAVELA – “É o equivalente medieval da cápsula espacial Apollo. Com suas velas triangulares, podia velejar num ângulo oposto ao vento, em vez de ser soprada para a frente. Abriu caminho para a Era dos Descobrimentos e para o comércio internacional.” (Alun Anderson, editor da revista inglesa New Scientist)

TELESCÓPIO – “A invenção do telescópio e seu posterior aperfeiçoamento por Galileu revelaram de forma conclusiva que há muito mais coisas no Universo do que o que está à disposição de nossos sentidos.” (Brian Greene, professor de física e matemática na Universidade Colúmbia).

RELÓGIO – “O relógio foi a corporificação da objetividade que abriu o caminho para o rigor da ciência objetiva. Transformou o tempo de uma experiência pessoal numa realidade independente de percepção.” (W. Daniel Hillis, físico e cientista computacional).

ARADO – “Os humanos já praticavam alguma agricultura há 30 mil anos, mas só ao resolverem o solo produziram grandes colheitas. O arado possibilitou-nos quebrar a lei ecológica de que grandes animais são raros. Já somos 6 bilhões.” (Colin Tudge, pesquisador do Centro de Filosofia da London School of Economics).

CESTA – “Sem alguma coisa onde pôr o que se coleta, não se pode ter uma sociedade coletora com qualquer grau de complexidade, nem casa e lareira, nem divisão de trabalho, nem humanidade.” ( Jeremy Cherfas, biólogo e locutor da rádio BBC).

ESTRIBO – “Assim que seu uso se generalizou, os soldados montados podiam brandir a lança e os arqueiros atirar da sela. Exércitos de cavaleiros armados passaram a cruzar o globo, travando batalhas que iriam alterar o destino das nações.” (Peter Tallack, jornalista científico).

ASPIRINA – “Inventada em 1853 na França, que pilulazinha útil para reduzir as dores de cabeça, do corpo e febres! Entre os masai, as dores de cabeça são tratadas com um bolo de fezes de cabra na cabeça. Prefiro a aspirina.” (Marc D. Hauser, neurocientista cognitivo, professor de psicologia em Harvard, Estados Unidos).

BORRACHA DE APAGAR – “A maior invenção é a borracha, assim como outros instrumentos que nos permitem voltar e corrigir nossos erros. Sem essa capacidade, não teríamos modelos nem meios de desenvolver governo, cultura ou ética.” (Douglas Rushkoff, professor de cultura virtual na Universidade de Nova York).

MÚSICA CLÁSSICA – “As composições musicais representam um incrível feito cerebral. A maioria das invenções pode ser usada para o bem ou para o mal. A música proporcionou mais prazer a mais indivíduos que qualquer outro artefato humano.” (Howard Gardner, professor de educação da Universidade de Harvard, Estados Unidos).

DESTILAÇÃO – “Surpreende-me que ninguém tenha citado a invenção alquímica de transformação. Além de a alquimia ser a base da ciência e da indústria, a transformação de seres humanos causada pela ingestão de destilados me interessa muito.” (Ron Cooper, pintor americano).

ÓCULOS – “A mais importante invenção foram os óculos. Eles dobraram efetivamente a vida ativa de todos os que lêem ou fazem trabalhos de precisão. E impediram o mundo de ser governado por pessoas com menos de 40 anos.” (Nicholas Humphrey, psicólogo teórico da London School of Economics).

FENO – “No mundo clássico não havia feno. A civilização só existia em climas quentes, onde cavalos podiam pastar no inverno. Até que o feno foi ceifado e armazenado e a civilização atravessou os Alpes, originando Viena, Paris e Londres.” (Freeman Dyson, professor de física no Instituto de Estudo Avançado de Princeton).

CADEIRAS E ESCADAS – “São um salto imaginativo, compreendendo o valor para a anatomia humana de uma plataforma idealizada no espaço. Uma consequência das escadas é a maior densidade de ocupação.” (Karl Sabbagh, escritor e produtor de documentários científicos para a BBC).

JOGO DE TABULEIRO – “Ofereceu um guia metafórico para a política e para a guerra tanto no Oriente (go) quanto no Ocidente (xadrez). Nos últimos séculos, inspirou modelos matemáticos e simulações de tudo, da genética à interação social.” (John Henry Holland, professor de ciência computacional e psicologia na Universidade de Michigan).

ESPELHO – “A mais influente invenção foi o espelho. Mostrou a cada um como ele parece a outras pessoas no planeta. Sua instalação na vida diária, no Renascimento, coincidiu com o advento de fenômenos como modos à mesa e estilos de roupa.” (Tor Norretranders, escritor).
Acesso em: 12/01/2011

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

EXERCÍCIO DE CIDADANIA: CONHEÇA QUEM SÃO OS MINISTROS DA PRESIDENTE DILMA E O QUE PESA A FAVOR OU CONTRA CADA UM DELES....

Por Carmen Munari e Hugo Bachega (REUTERS)

SÃO PAULO (Reuters) - A presidente eleita Dilma Rousseff definiu nesta quarta-feira os últimos integrantes de sua equipe ministerial. Dos 37 auxiliares, 17 são filiados ao PT, seis ao PMDB e dois ao PSB. O PP, o PDT, o PR e o PCdoB ficaram com uma pasta cada um. Há nove mulheres na equipe. Veja abaixo os ministros do futuro governo que assume em 1o de janeiro:
  • AGRICULTURA - Wagner Rossi (PMDB) - Fazendeiro de Ribeirão Preto (SP) com extensa carreira em cargos públicos, é formado em Direito pela USP com diversos cursos de pós-graduação, alguns no exterior. Foi deputado federal por três legislaturas e deputado estadual por duas em São Paulo, além de ter assumido diversas secretarias paulistas.
  • BANCO CENTRAL - Alexandre Tombini - Funcionário do BC desde 1995, tem experiência no combate à inflação, mas terá que mostrar capacidade de resistir a pressões políticas. Aos 46 anos, trabalhou na formulação do regime de metas de inflação.
  • CASA CIVIL - Antonio Palocci (PT) - Ex-ministro da Fazenda da gestão Lula (2003-2006), deixou a pasta sob escândalo e retorna como homem de bastidor que faz a ponte do governo com setores da economia. Na Fazenda, obteve a confiança do mercado financeiro pela austeridade com as contas públicas e na Casa Civil terá a função de coordenar as ações de governo. Tem 50 anos.
  • CIDADES - Mário Negromonte (PP-BA) - Deputado e advogado de 60 anos, já pertenceu ao PMDB e PSDB. Va substituir Marcio Fortes, também do PP. Muito cobiçada, a pasta de Cidades, criada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2003, é responsável pelo programa Minha Casa, Minha Vida.
  • CIÊNCIA E TECNOLOGIA - Aloizio Mercadante (PT) - Economista e senador eleito com mais de 10 milhões de votos em 2002, saiu derrotado das eleições para o governo paulista em 2006 e 2010. Sem mandato a partir do ano que vem, foi contemplado com o ministério. Aos 56 anos, ensaiou deixar a liderança do PT no Senado para marcar sua insatisfação contra orientação da direção do partido pelo arquivamento de processos contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).
  • CULTURA - Ana de Hollanda - Irmã do compositor Chico Buarque de Hollanda, é atriz e cantora. Tem 62 anos e foi diretora do centro de música da Funarte. Ela estreou em 1964 em show musical no colégio Rio Branco, integrando o vocal Chico Buarque e As Quatro Mais, em SP. Após divulgação de seu nome para integrar ministério, postou no twitter que 'o desafio é enorme, mas nada que seja impossível para quem respira cultura'.
  • COMUNICAÇÕES - Paulo Bernardo (PT) - Sem ter concluído curso universitário, o ex-bancário de 58 anos, eleito três vezes deputado federal pelo Paraná, direcionou sua vida política a assuntos relacionados a finanças públicas, caminho que o levou a ser escolhido para assumir o Ministério do Planejamento de Lula em 2005. Terá como desafios assumir o novo marco regulatório das comunicações e introduzir o Plano Nacional da Banda Larga.
  • DEFESA - Nelson Jobim (PMDB) - Chegou ao comando da Defesa em 2007 em meio ao caos aéreo, após o acidente com um avião da TAM em São Paulo. No seu currículo, possui a marca de ter ocupado cargos de primeiro escalão nas três esferas de poder. Gaúcho de 64 anos, foi indicado ministro do Supremo Tribunal Federal em 1997 e presidiu a Corte entre 2004 e 2006. Já foi deputado federal pelo Rio Grande do Sul e comandou o Ministério da Justiça no governo Fernando Henrique Cardoso.
  • DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO - Afonso Florence (PT) - Sua indicação mantém a Democracia Socialista (DS), tendência do PT, à frente da pasta que cuida da reforma agrária, repetindo medida do governo Lula. Formado em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Bahia, era secretário de Desenvolvimento Urbano da Bahia até este ano. Tem 60 anos e elegeu-se deputado federal neste ano.
  • DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR - Fernando Pimentel (PT) - Ex-prefeito de Belo Horizonte e militante contra a ditadura militar, é um dos fundadores do PT. Formado em Economia e mestre em Ciências Políticas, é amigo pessoal de Dilma Rousseff. Deixou a coordenação da campanha da petista após citação em escândalo. Saiu derrotado da eleição ao Senado em Minas. Tem 59 anos.
  • DESENVOLVIMENTO SOCIAL - Tereza Campello (PT) - É subchefe de articulação e monitoramento da Casa Civil, onde se dedica ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e atua desde agosto de 2004. É gaúcha, economista e foi secretária do governo do Rio Grande do Sul antes de atuar no governo de transição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002.
  • EDUCAÇÃO - Fernando Haddad (PT) - Assumiu a pasta em 2005 e tem a confiança de Dilma. Foi mantido no posto mesmo após dois momentos críticos relacionados ao Enem. Paulistano, de 47 anos, liderou a expansão das universidades federais e o programa Prouni.
  • ESPORTE - Orlando Silva (PCdoB) - Baiano de Salvador, chegou ao comando da pasta em 2006. Aos 39 anos, leva no currículo a realização dos Jogos Pan-Americanos no Rio de Janeiro, em 2007, e a conquista dos direitos para sediar a Copa do Mundo de 2014 no Brasil e os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio.
  • FAZENDA - Guido Mantega (PT) - Aos 61 anos, foi mantido no cargo que ocupa há cinco anos no governo Lula. Sob sua gestão, a economia brasileira cresceu de forma consistente em meio a críticas de pouco rigor com as contas públicas. O desempenho econômico favorável, que levou as taxas de desemprego a mínimas históricas, foi decisivo para garantir a eleição de Dilma Rousseff, mas não assegurou a Mantega a preferência de analistas do mercado financeiro.
  • INTEGRAÇÃO NACIONAL - Fernando Bezerra Coelho (PSB) - Pernambucano de Petrolina, Bezerra, de 53 anos, atuava como secretário de Desenvolvimento de Pernambuco. Foi prefeito de sua cidade natal por três vezes. Elegeu-se também deputado estadual, em 1982, e deputado federal, quatro anos depois. Foi a principal indicação do PSB no governo Dilma.
  • JUSTIÇA - José Eduardo Cardozo (PT) - Advogado paulistano de 51 anos, é secretário-geral do PT e foi coordenador da campanha eleitoral de Dilma. Atuou na primeira gestão da Prefeitura de São Paulo com a prefeita Luiza Erundina (1989-1992). Deputado federal por dois mandatos, desistiu de concorrer na última eleição.
  • MEIO AMBIENTE - Izabella Teixeira - Brasiliense, é bióloga e funcionária de carreira do Ibama desde 1984. Tem mestrado em Planejamento Energético e doutorado em Planejamento Ambiental e se mantém à frente da pasta que assumiu em abril deste ano.
  • MINAS E ENERGIA - Edison Lobão (PMDB) - Já ocupou a pasta no governo Lula. Reeleito para o Senado pelo Maranhão nas eleições de outubro, Lobão, de 74 anos, é ligado ao ex-presidente José Sarney (PMDB-AP). Antes sem experiência em energia, conquistou a confiança da presidente eleita.
  • PLANEJAMENTO - Miriam Belchior (PT) - Coordenadora do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo Lula, de 52 anos, foi secretária da prefeitura petista de Santo André e é viúva do ex-prefeito da cidade Celso Daniel. Levará para o Planejamento a gestão do PAC.
  • PREVIDÊNCIA SOCIAL - Garibaldi Alves (PMDB-RN) - Aos 63 anos, foi eleito este ano para um terceiro mandato de senador. Com intensa carreira política, foi duas vezes governador do Rio Grande do Norte, prefeito de Natal e três vezes deputado estadual. Presidiu o Senado entre 2007 e 2009. É formado em direito e jornalista de profissão.
  • RELAÇÕES EXTERIORES - Antonio Patriota - Ex-embaixador do Brasil em Washington, tem boas relações com autoridades norte-americanas. Patriota, de 56 anos, defende a ampliação da relação do Brasil com a África e a busca por um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU.
  • RELAÇÕES INSTITUCIONAIS - Luiz Sérgio Nóbrega de Oliveira (PT) - Deputado federal reeleito para um quarto mandato a partir de 2011, é presidente do PT-RJ e foi líder da bancada na Câmara entre 2007 e 2008. Ex-metalúrgico, trabalhou no estaleiro Verolme em Angra dos Reis e presidiu o Sindicato dos Metalúrgicos da cidade em 1987. Em 1993, assumiu a prefeitura de Angra dos Reis (RJ). Tem 52 anos.
  • SAÚDE - Alexandre Padilha (PT) - Médico infectologista graduado pela Unicamp com pós na USP, de 39 anos, é militante petista desde o movimento estudantil. Em 2009 assumiu a pasta das Relações Institucionais, responsável pela articulação política. Ainda quando ocupava a subchefia de Assuntos Federativos do Planalto acompanhava a então ministra da Casa Civil Dilma Rousseff em reuniões da base aliada. Foi diretor da Fundação Nacional de Saúde (FUNASA).
  • TRABALHO - Carlos Lupi (PDT) - Representante do PDT no primeiro escalão, comandou a pasta no governo Lula a partir de 2007 e alavancou a geração de empregos. Usou os instrumentos que estavam ao seu alcance, como o conselho curador do FGTS e o Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat), para expandir o crédito durante a crise econômica mundial de 2008/2009.
  • TRANSPORTES - Alfredo Nascimento (PR-AM) - Derrotado na disputa pelo governo do Amazonas neste ano, Nascimento já comandou a pasta nos dois mandatos do presidente Lula. Foi prefeito de Manaus e eleito senador em 2006.
  • TURISMO - Pedro Novais (PMDB- MA) - Advogado, exerce seu sexto mandato como deputado federal. Tem 80 anos e elegeu-se pela primeira vez em 1983. Antes, foi deputado estadual, em 1979. Já integrou as comissões de Orçamento, Constituição e Justiça e Finanças e Tributação. Há duas denúncias contra ele publicadas na imprensa depois de sua indicação.
  • SECRETARIA-GERAL - Gilberto Carvalho (PT) - Chefe de gabinete de Lula desde 2003, é amigo pessoal e homem de confiança do presidente. Paranaense nascido em 1951, é católico praticante ligado à Igreja Católica. Fará a ponte do governo com entidades da sociedade civil.
  • SECRETARIAS: Moreira Franco (PMDB-RJ) (Assuntos Estratégicos); senadora Ideli Salvatti (PT-SC) (Pesca e Aquicultura); deputada Maria do Rosário (PT-RS) (Direitos Humanos); Luiza Helena Bairros (PT) (Igualdade Racial); Helena Chagas (Comunicação); Leônidas Cristino (PSB) (Portos), deputada Iriny Lopes (PT) (Políticas para as Mulheres)
  • ADVOCACIA GERAL DA UNIÃO (AGU) - Luís Inácio Lucena Adams, mantido; CONTROLADORIA GERAL DA UNIÃO (CGU) - Jorge Hage, mantido; GABINETE DE SEGURANÇA INSTITUCIONAL (GSI) - general José Elito Siqueira; CHEFE DE GABINETE - Giles Azevedo.

Texto disponível em: http://noticias.br.msn.com/artigo.aspx?cp-documentid=26865093. Acesso em 22/12/2010.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

PAISAGEM, ESPAÇO E PROBLEMAS AMBIENTAIS: análises integrativas necessárias para a compreensão dos problemas geográficos

Prof. MSc. Luiz Jorge Dias
Geógrafo - Mestre em Sustentabilidade de Ecossistemas
Prof. Auxiliar I de Geografia Física - UEMA\CESI\DHG
Paisagem, a rigor, é o conceito geográfico que procura identificar os elementos espaciais que compõem um dado local, levando em consideração o que empiricamente se pode diagnosticar pela percepção. É a partir desse conceito matriz que as análises espaciais têm início, uma vez que, ao ser caracterizada, o pesquisador bem preparado abstrai a noção real de que ela é, de fato, um conjunto de heranças físicas (ou naturais, ou abióticas), ecológicas (ou ecossistêmicas) e humanas (ou sociais, lato sensu).

Ademais, é sobre as paisagens que as diversas formas e produtos espaciais sofrem (e estão dinamicamente sujeitas a) constantes mutações. Esta unidade é definida por Santos (2002, p. 103) como um "[...] conjunto de formas que, num dado momento, exprimem as heranças que representam as sucessivas relações entre homem natureza. (...) A rigor, a paisagem é apenas uma porção da configuração territorial que se pode abarcar com a visão. Assim, quando se fala em paisagem, há também referência à configuração territorial [...]".
Portanto, a paisagem é um elemento conceitual indispensável na compreensão do território e das feições que nele se apresentam, onde se dá destaque aos aspectos físicos e ecossistêmicos locais e/ou regionais, mas que pode enaltecer as atividades humanas no cerne das abordagens espaciais, uma vez que destaca o papel das próteses espaciais implantadas pelas diversas sociedades (ou redundantemente, pelo homem) sobre os espaços dantes considerados “naturais”. Como o presente conceito é bem mais utilizado dentro das abordagens da Geografia Física, ele se associa freqüentemente aos aspectos mais diretamente relacionados com a natureza, em que esta é considerada como um tipo de background onde se assentam as transformações ecológicas e humanas.
O agente antropogenético (ou homem, dotado de necessidades e de forças produtivas e transformadoras/perturbadoras) tem o claro intuito de modificar o meio natural, ou ambiente natural, convertendo-o continuamente em espaço geográfico (que é por definição social), com seus cunhos materiais e valorativos, além de dogmáticos, os quais são pelas sociedades construídos, constituídos e incrementados.
Convém lembrar, ainda, que a paisagem é uma junção de objetos reais e temporais distintos, onde o passado e o presente se encontram e se apresentam em função da realidade atual, sendo, ao mesmo passo, resultado da configuração de duas histórias distintas, porém complementares: a história social ou humana e a história físico-ecológica de uma dada região.
Em outros termos, falar sobre paisagem denota um processo evolutivo de configuração de matéria, formas e trocas constantes de energias e matérias entre sistemas ambientais, levando ao encadeamento de vários outros processos entrelaçados, cujas compreensões servem para que se possa “construir” uma maneira mais hierárquica de se projetar a realidade sobre o espaço assentado em um substrato físico-ambiental. Ela é um cenário, um resumo da realidade, sem o qual não se podem desenvolver análises mais detalhadas sobre um dado território, aqui compreendido como um certo espaço delimitado. Ab’Sáber, (2003, p. 09) a considera como uma herança em todos os sentidos (físicos, biológicos e humanos), o que reitera afirmações anteriores. É o ponto de partida para a compreensão integralizada do espaço total regional, que nada mais é que um fragmento de espaços territoriais com dimensões superiores (ao nível de estados, províncias, macro-regiões e/ou países).
Dos elementos constituintes das paisagens são destacados, via de regra, os rios, os mares, lagos, lagoas e lagunas; dunas, praias, manguezais, planícies de marés; prédios, casas, ruas e avenidas, cidades, plantações e áreas de pastoreio; além de formas de vegetação que se desenvolvem em áreas ligeiramente “homogêneas” ou mesmo bastante diferenciadas entre si. Daí se conclui que há uma identidade paisagística relacionada a cada local e/ou região. No entanto, dos elementos que constituem essas idiossincrasias geográficas, se destacam os fatos geomorfológicos, responsáveis pela apreensão e diferenciação empírica dos “altos e baixos” da superfície terrestre. É nesse sentido que Dias et. al. (2005, p. 3.082) afirmam que
[...] a configuração geomorfológica é uma das parcelas mais notáveis do espaço total regional, devendo ser compreendida em função, ao primeiro momento, de sua esculturação e estruturação litológicas e estratigráficas (conforme os ambientes geológicos de onde se encontram – e se assentam – tais formações); e em um segundo momento, de suas porções superficiais, representadas pelas variações pedológicas, estratos botânicos (cobertura vegetal), condicionantes (elementos) de tempo e clima, hidrografia e distribuição de vertentes e seus respectivos canais de escoamento de fluxos e áreas de estocagem hídrica, além da antropogênese, ou seja, dos elementos homem/sociedades enquanto agentes de modelagem e de transformação do meio em função de tecnologias viáveis para a apropriação (ou criação) de novos espaços, a fim de se estabelecer novos elementos a serem enquadrados em índices econômicos (valores) de uso e troca de terra ou solo [...].
Obviamente, tal afirmação acrescenta um pouco mais de valor ao agente antropogênico (o homem), com suas realidades culturais, técnicas, científicas e informacionais, conforme propunha Santos e Silveira (2002) como um sujeito capaz de modelar parcelas locais (e dependendo dos casos, em dimensões escalares maiores) dos ambientes geomorfológicos. Observa-se que o contexto que Dias et. al. (2005) não difere muito de Ab’Sáber (1969); contudo, houve esforços para se empreender um esforço de raciocínio para que se pudesse colocar as ações cumulativas antropogênicas em patamar de destaque.
Destarte, antes de se falar em Geomorfologia Urbana há de se apresentar a Geomorfologia Antrópica ou Geomorfologia Antropogenética (como preferimos) no contexto, já que a primeira é uma vertente derivada da segunda, que, por seu turno, indica como o homem, impregnado dos valores e recursos tecnológicos que a sociedade em que está inserido lhe proporciona, pode ser um agente modelador do relevo e, portanto, de transformação de paisagens, com a finalidade de se construir (ou reproduzir), pelo seu trabalho, espaços, alterando toda uma dinâmica natural de formas, materiais e processos, “desviando”, ou melhor, desvirtuando, os sistemas ambientais em função de suas necessidades.
Ross (2000, p. 291) afirma que “[...] os sistemas ambientais naturais, face as intervenções humanas, apresentam maior ou menor fragilidade em função de suas características genéticas [...]”, o que significa dizer que, quanto maiores forem, em termos escalares, as intervenções humanas sobre o meio, em especial sobre a sua morfologia derivada dos aspectos geológicos, climato-botânicos e pedológicos, os mesmos têm respostas distintas às alterações impostas, o que pode vir a levar a maiores possibilidades de impactação ambiental, ou mesmo, segundo a possibilidade de inadequação ou inapropriação de usos de tecnologias adversas ao ambiente, de um processo pontual e crescente de degradações ambientais heterogêneas intercaladas.
Ao se afirmar que a Geomorfologia tem um caráter de integração (interface) entre os vários elementos que constituem o espaço, ela passa a se enquadrar nas análises procedidas sobre as questões ambientais, se importando, então, com o papel das análises inter e transdisciplinares intrínsecas a várias ciências contemporâneas, onde a Geografia entra em destaque (Ferreira; Dias, 2002). E, seguindo tal veio de raciocínio, a Geomorfologia Antropogenética se faz tão importante em termos de análise e compreensão pelo fato central de compreender esforços explicativos tanto dos estudos da dita Geografia Física, quanto da Geografia Humana, além de estar a par de observações provenientes das abordagens biogeográficas e ecológicas, tão necessárias para o complemento dos estudos geográficos, porém pouco difundidas.
Drew (2002, p. 123), por seu turno, tem uma concepção interessante sobre a Geomorfologia. Segundo aquele autor, ela é uma disciplina que aborda as questões de escalas de atuação dos eventos geomórficos, ou seja, aqueles responsáveis pela esculturação (modificação) da paisagem geomorfológica, em termos de espaço (abrangência geométrica) e tempo (abrangência processual histórica, que pode ser tanto físico-ecológica, quanto social). Outrossim, há destaque para as intervenções antrópicas inseridas, uma vez que “[...] as mudanças feitas pelo homem são antes locais que regionais e mais intensivas que extensivas [...]”.
Isso acaba por mostrar que as relações de produção e apropriação de paisagens na tentativa de convertê-las em espaços podem vir a ser intensas em função de interesses externos à condição do indivíduo, antes sendo intrínsecas aos caracteres postulados pelo sistema de produção, no caso atual, o capitalista (Casseti, 1995). É esse sistema de produção, com sua “organização produtiva” e com os ditames da divisão do trabalho, que norteia de forma heterogênea os diversos modos de uso e ocupação do solo (caso do espaço urbano) e da terra (espaços rurais). Ante o exposto, há uma tendência de aproveitamento desequilibrado dos recursos naturais e ecológicos (ou bióticos) disponíveis.
A falta de planejamento que vise a sustentabilidade das atividades econômicas podem convergir para a exaustão dos recursos em profundidades diferentes de tempo, e isso apenas para uma questão, um objetivo: a obtenção de lucros, segregando espaços e margeando socialmente núcleos humanos de habitação (um grande contingente demográfico), criando ou mascarando relações de trabalho e produção com a finalidade de se atrelar novas variáveis valorativas (economicamente falando) aos seus postulados. E tudo isto é objetivo de estudos dentro dos campos de interesse da Geomorfologia Antropogenética nas suas possibilidades reais de se analisar/compreender o espaço geográfico de forma mais abrangente e total.
Algo que deve ser destacado nas pesquisas geográficas é a dimensão temporal dos fatos espaciais. O tempo é um fator fundamental de/para análises, já que sua ação numa estrutura de continuum espaço-temporal é um indicativo da (re) produção espacial em diversas escalas, aliadas às características técnicas e científicas de uma dada época.
É através dos processos de (re) configuração espacial (sempre segundo o binômio ora exposto) que se pode perceber a sucessão de formas e conteúdos que uma determinada parcela territorial pode adquirir ao longo do tempo (Santos, 2002), o que pode indicar quais são os agentes sociais atuantes em um certo território, além de um conjunto de fatores naturais (físicos) e ecossistêmicos se materializando e se desenvolvendo na paisagem.
Tendo exposto tais explicações sobre Geomorfologia Antrópica ou Antropogenética, convém, então, que se retrate a Geomorfologia Urbana no contexto. Como já mencionado, tal linha de pensamento/análise é uma forma derivada da anterior; no entanto, vertem suas análises para o ambiente urbano, o que significa, necessariamente, que as problemáticas urbanas, de cunho escalar e com possibilidade de mapeamentos com riqueza de detalhes sobre as potencialidades do solo e suas formas atuais (ou mesmo evolutivas, processuais) de uso e ocupação, são assimiladas e exponenciadas, fazendo urgir a obrigação de se melhor conhecer estrutural e esculturalmente o estrato físico sobre o qual se assenta o fato urbano (ou intra-urbano) para que se possa vir a melhor embasar as formas de se poder corretamente verificar as problemáticas ambientais inseridas no espaço, tendo noções de como nortear, em aspectos integrados, maneiras de se aperfeiçoar, em função das técnicas, a qualidade de vida da população residente ou funcional de dado espaço.
Os processos em Geomorfologia Urbana são tratados com caráter aplicativos a partir da indução por correlação de variáveis empíricas e medições (métodos qualitativo e quantitativo, respectivamente) de atributos espaciais diversos, como altura, extensão e ângulo de declividades (vertentes), além das diferenciadas formas de ocupação do solo e predisposições a riscos ambientais, tanto no que tange à possibilidade de sofrê-los, quanto no que se refere à iminência de se produzi-los. Compete, então, dizer que, em função dos conhecimentos da Geomorfologia Urbana de um dado espaço ou sub-espaço, pode-se atribuir um Modelo Digital do Terreno (MDT, o que não fora o caso deste trabalho), a partir de técnicas de mapeamento, que podem nortear um planejamento físico-territorial preventivo ou, dependendo do caso, paliativo.

Para que tal ação aconteça, necessário é que se possa vir a entender como se processaram os vários períodos de intervenção, desde um marco inicial, conhecido como (processo) pré-antrópico, até um estágio bem mais avançado, ou pós-antrópico, passando, logicamente, por um processo de desenvolvimento contínuo e predatório do ambiente, que pode muito bem estar transcorrendo nos momentos atuais sobre uma determinada parcela espacial. Estes seguimentos instrumentais foram expostos por Rodrigues (2002), citando Nir (1982).
Tal aparato metodológico supramencionado enfoca uma periodização das fases de ação degradante humana sobre o meio, sendo elas: a) fase de pré-perturbação, que compreende a interpretação em função do relevo e de sua respectiva rede de drenagem, como poderia ser a área antes de nela ser construído qualquer tipo de assentamento urbano; b) um segundo momento compreenderia uma fase de perturbação ativa, onde se caracterizariam processos impactantes mais fortes sobre o ambiente, em função da construção de um núcleo urbano de habitação (como um conjunto habitacional) e de modificação das características originais da área; c) em um último estágio, têm-se as conseqüências do processo de ocupação da área, com todas as suas problemáticas socioambientais e espaciais efetivamente contextualizadas, o que indica uma fase de pós-perturbação do ambiente, mostrando a irreversibilidade de processos impactantes que levaram a uma degradação considerável de parcelas do espaço construído e de suas áreas de influência.
O interesse primordial em se trabalhar este aparato metodológico nesta pesquisa é pelo fato de se poder melhor espacializar e periodizar os processos sócio-ambientais presentes (atuantes) nos diversos tipos de espaços geográficos devidamente antropizados. Analisar, então, os processos socioambientais urbanos pela Geomorfologia a estes espaços relacionada, é, antes de tudo, saber pontuar as idiossincrasias intrínsecas ao meio, valorizando em seus aparatos científicos as influências da “indução ao consumo da ‘natureza’” (PENNA, 2002) da sociedade pela e para a sociedade. A valorização diferenciada das várias parcelas do espaço urbano também são inseridas neste conjunto teórico-metodológico, derivando-se daí um incremento técnico à ciência geomorfológica e, acima de qualquer outra ciência, neste caso, à Geografia, em especial a Urbana e a Ambiental.

Notícia sobre a construção do "Espigão" da Praia da Ponta d'Areia (São Luís - MA)

SÃO LUÍS - A Secretaria de Infraestrutura (Sinfra) recebeu a Licença Prévia (LP) da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Naturais (Sema) para a construção do espigão costeiro na praia da Ponta d’Areia. Com isso, acabam-se todas as restrições ambientais para o início das obras, mas a construção não tem data para ser iniciada por falta de liberação da Capitania dos Portos.

A Licença Prévia foi concedida à Sinfra no dia 5 deste mês e publicada no Diário Oficial no dia 7. O primeiro passo para a expedição da autorização da Marinha já foi dado. Conforme informações da Capitania dos Portos, os técnicos da Sinfra já estão reunindo a documentação necessária para iniciar o processo de solicitação.

Segundo o capitão de mar e guerra Nelson Ricardo Calmon Bahia, comandante da Capitania dos Portos do Maranhão (CPMA), se a documentação que será apresentada pela Sinfra estiver conforme a norma da autoridade marítima, não haverá dificuldades para se expedir a autorização à secretaria, favorável à construção do espigão costeiro. “O mote da nova autorização é relacionado à navegação. Nossa participação é com relação à influência da intervenção na navegabilidade”, destacou Nelson Bahia. Entre os documentos que devem ser apresentados pela Sinfra estão cartas náuticas, geográficas e Estudo de Impacto Ambiental (EIA).

O espigão
O procedimento licitatório para a construção do espigão costeiro foi realizado em abril deste ano. A vencedora foi a empresa Ducol Engenharia LTDA, que realizará a obra orçada em R$ 12.038.277,56. Os valores foram publicados no Diário Oficial do dia 30 de abril deste ano. O resultado do procedimento licitatório foi dado três dias antes. O prazo para a construção do espigão é de 180 dias, conforme a Sinfra.

Ainda de acordo com a Secretaria de Infraestrutura, o espigão terá 572 metros de extensão, largura inicial de 7 metros e de 13 metros no fim da estrutura. A altura deve variar de 4 metros a 14 metros no terreno natural, ficando a 1,4 metro acima do mar, durante a maré alta. O ponto de construção será nas proximidades do Memorial Bandeira Tribuzi.

Conforme a Sinfra, a obra tem o objetivo de conter a erosão e a força das águas, principalmente na Península da Ponta d’Areia. “A licitação já ocorreu. A empresa vencedora só aguarda a liberação de todas as licenças e autorizações para receber a Ordem de Serviço da Sinfra e iniciar os serviços imediatamente”, informou a Sinfra por meio de sua Assessoria de Imprensa. Após essa obra, conforme a Sinfra, uma nova intervenção somente será necessária em 17 anos.

Enquanto as obras não são iniciadas, o assoreamento ainda atinge parte da península da Ponta d’Areia. No trecho da Avenida dos Holandeses, nas proximidades do Memorial Bandeira Tribuzi, metade da via já cedeu, assim como a barreira de contenção da via, passando apenas um carro por vez, por causa do buraco que se formou no local. “Infelizmente, nada foi feito. Houve uma reforma aqui, mas esqueceram de construir muros de contenção em toda essa área. Por isso, o assoreamento voltou a destruir a avenida”, disse o autônomo Ricardo Lima, de 28 anos.

Texto extraído do site: http://imirante.globo.com/noticias/2010/10/20/pagina257031.shtml. Acesso em: 20/10/2010.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Planeta perdeu 30% de recursos naturais

Em menos de 40 anos, o mundo perdeu 30% de sua biodiversidade. Nos países tropicais, contudo, a queda foi muito maior: atingiu 60% da fauna e flora original. Os dados são do Relatório Planeta Vivo 2010, publicado a cada dois anos pela organização não governamental WWF.
O relatório, cujas conclusões são consideradas alarmantes pelos ambientalistas, é produzido em parceria com a Sociedade Zoológica de Londres (ZSL, na sigla em inglês) e Global Footprint Network (GFN).

'Os países pobres, frequentemente tropicais, estão perdendo biodiversidade a uma velocidade muito alta', afirmou Jim Leape, diretor-geral da WWF Global. 'Enquanto isso, o mundo desenvolvido vive em um falso paraíso, movido a consumo excessivo e altas emissões de carbono.'

A biodiversidade é medida pelo Índice Planeta Vivo (IPV), que estuda a saúde de quase 8 mil populações de mais de 2,5 mil espécies desde 1970. Até 2005, o IPV das áreas temperadas havia subido 6% - melhora atribuída à maior conservação da natureza, menor emissão de poluentes e melhor controle dos resíduos. Nas áreas tropicais, porém, o IPV caiu 60%. A maior queda foi nas populações de água doce: 70% das espécies desapareceram.

Consumo desenfreado. A demanda por recursos naturais também aumentou. Nas últimas cinco décadas, as emissões de carbono cresceram 11 vezes. O relatório afirma que a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), formada por 33 países em geral desenvolvidos, são responsáveis por 40% da pegada de carbono global, e emitem cinco vezes mais carbono do que os países mais pobres.

Comparados a ela, os BRICs (grupo formado pelos países emergentes Brasil, Rússia, Índia e China) têm o dobro da população e uma menor emissão de carbono per capita. O problema, alerta o relatório, é se os BRICs seguirem no futuro o mesmo padrão de desenvolvimento e consumo da OCDE.
Índia e China, por exemplo, consomem duas vezes mais recursos naturais do que a natureza de seu território pode repor. Atualmente, os países utilizam, em média, 50% mais recursos naturais que o planeta pode suportar. Se os hábitos de consumo não mudarem, alerta o relatório, em 2030 se estará consumindo o equivalente a dois planetas.
Em resposta ao levantamento de 2008, a WWF elaborou um modelo de soluções climáticas, em que aponta seis ações concretas para reduzir as emissões de carbono e evitar maiores perdas de biodiversidade. Entre elas, a organização aponta a necessidade de investir em eficiência energética, novas tecnologias para gerar energia com baixa emissão de carbono, adotar a política de redução da pegada de carbono e impedir a degradação florestal.
PARA LEMBRAR

De 18 a 29 deste mês acontece em Nagoya, no Japão, a 10ª Conferência das Partes da Organização das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica. Criada em 1992, no Rio de Janeiro, a convenção tinha como principal meta reduzir significativamente a perda de biodiversidade até 2010. As Nações Unidas até definiram 2010 como o Ano Internacional da Biodiversidade, mas os resultados ainda deixam muito a desejar. Apesar da meta estabelecida, o relatório mais recente da ONU mostra que o planeta perdeu um terço do estoque de seres vivos existente em 1970. O documento aponta como ameaçadas de extinção 42% das espécies de anfíbios do mundo e 40% das de aves - e estima em US$ 2 trilhões a US$ 4,5 trilhões o prejuízo mundial anual com desmatamento. Além da preservação da diversidade biológica mundial, outro tema deve ter destaque nas negociações: a repartição dos recursos oriundos da biodiversidade.
Texto extraído do site: http://estadao.br.msn.com/ciencia/artigo.aspx?cp-documentid=25927622. Acesso em: 13/10/2010.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Moradores de Piquiá de Baixo pedem um reassentamento por causa da poluição

Camila Andrade

Mais de 300 pessoas reivindicaram uma medida imediata para a diminuição no impactado causado por siderúrgicas durante uma audiência pública no município de Piquiá de Baixo, em Açailândia, interior do estado, na última terça-feira (14), precedida pelo Ministério Público do Maranhão.

Foi entregue um abaixo assinado ao MP que denunciou o aumento da poluição nos último 60 dias. Os moradores pedem reassentamento do povoado para outra localidade com infra-estrutura necessária de saúde, sede da associação de moradores, igrejas, ruas pavimentadas, iluminação, redes de energia e saneamento básico, transporte público, moradia dignas e medidas imediatas de redução do impacto da poluição, que prejudica o ar, os rios, o solo com impacto sobre toda a cidade.

Uma inspeção foi realizada pelo Conselho de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CREA), a pedido do MP nas casas de Piquiá de Baixo, para a construção do novo povoado, garantindo a qualidade das moradias.A principal responsável pela poluição do ar, rio, e do povoado seria a empresa Vale, que teria provocado desmatamento e causado conflitos sociais na região. Além de ser acusada de apenas ter lucrado e investido pouco no povoado que tanto é afetado pela poeira de minério.
A Vale, por sua vez, declarou que já se fez presente numa audiência pública anterior e está disposta a colaborar em vista de uma solução no Piquiá de Baixo.Um prazo de vinte dias vai permitir a todas as partes a análise do laudo do CREA. E no dia 5 de outubro, empresa, município e sociedade civil, discutirão novamente a situação do povoado com prazos e responsabilidades definidos.

Disponível no site: http://www.oimparcialonline.com.br/noticias.php?id=59652. Acesso em: 16/09/2010.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Reserva de gás no Maranhão é uma das maiores do mundo

Do Portal "Imirante.com"

Reserva, descoberta hoje, em Capinzal do Norte, corresponde a 40% do existente na Bolívia.

SÃO LUÍS - Confirmada, nessa quarta-feira (11), por meio de pesquisa, a existência de gás natural no município de Capinzal do Norte, a 260 km da capital, São Luís, na seção devoniana do poço 1-OGX-16-MA, no bloco PN-T-68, na bacia terrestre do Parnaíba. A reserva, segundo informações da empresa MPX Energia, seria uma das maiores do mundo. A OGX Maranhão, sociedade formada entre MPX Energia (33,3%) e OGX (66,6%), é a operadora e detém 70% de participação neste bloco. A reserva descoberta no município maranhense corresponde a 40% do existente na Bolívia, país considerado o maior produtor de gás natural do mundo.

"Esta descoberta abre uma nova fronteira exploratória em uma bacia terrestre, fato que não ocorria há aproximadamente duas décadas no Brasil. Convém também ressaltar que a campanha exploratória, iniciada em outubro de 2009, está sendo conduzida por companhias brasileiras, obtendo importantes resultados em tempo recorde", comentou o diretor-geral da OGX, Paulo Mendonça.
Após perfurar os primeiros 10 metros da seção devoniana com expressivos indícios de gás, à profundidade de 1.654 metros, a OGX Maranhão decidiu realizar um teste de formação. O poço foi aberto para fluxo às 5h30 de hoje e após 10 minutos de abertura, constatou-se a presença de gás na superfície e, às 6h, o poço estava com 1.900 psi de pressão, sendo, em seguida, fechado para estática. No segundo fluxo, iniciado às 8h, foi alinhado para o queimador, apresentando uma chama de aproximadamente 15 metros.
Com os dados sísmicos adquiridos até o momento, já foram mapeados em torno de 20 novos prospectos, sendo cinco deles situados no trend desta descoberta, sinalizando para o altíssimo potencial desta região da bacia, na qual a OGX Maranhão detém 7 blocos, totalizando 21.000 km². A perfuração do poço OGX-16, prospecto demonimado Califórnia, continua em andamento até a profundidade total estimada de 3.450 metros em buscas de novos objetivos exploratórios.
O poço OGX-16, localizado no bloco PN-T-68, situa-se a aproximadamente 260 km de São Luis, capital do Maranhão. A sonda QG-1, fornecida pela Queiroz Galvão, iniciou as atividades de perfuração no dia 5 de julho de 2010.

O Complexo de Geração Térmica do Parnaíba, uma parceria 70/30 entre a MPX e a Petra Energia, o qual já possui licença prévia para a instalação de usinas a gás natural que, somadas, podem chegar a 1.863 MW, utilizará o gás natural a ser produzido nos blocos.

Texto extraído do Site: http://imirante.globo.com/noticias/2010/08/12/pagina250467.shtml. Acesso em: 12/08/2010.